Cartas que nunca enviei
Sobre as palavras que ficam por dizer e o peso do silencio nas relacoes que mais importam.
Encontrei-as numa gaveta esquecida, durante uma mudanca forcada. Dezenas de cartas escritas ao longo dos anos, enderecadas a pessoas que nunca as leram. Algumas com selos colados, outras apenas com nomes rabiscados a lapis.
As palavras que ficaram por dizer
Ha uma carta para o meu pai, escrita tres dias antes de ele morrer. Digo-lhe coisas que nunca tive coragem de dizer em voz alta. Que o admirava mais do que ele alguma vez soube.
Ha uma carta para uma professora do liceu que acreditou em mim quando mais ninguem acreditava. Outra para um amigo que desapareceu sem explicacao ha quinze anos.
O peso do silencio
Quantas destas cartas teriam mudado vidas se tivessem sido enviadas? Vivemos numa era de comunicacao instantanea e somos mais silenciosos do que nunca sobre o que realmente importa.
As cartas que nunca enviamos pesam mais do que todas as que recebemos.
Hoje, decidi comecar a enviar as minhas. Uma de cada vez. Comecando pela mais dificil.